domingo, 18 de março de 2012

Resenha: A Cartomante, Machado de Assis.

   A Cartomante é um conto criado por Machado de Assis, onde nos mostra um romance intenso e proibido. Camilo, Rita e Vilela, três nomes, três personagens que relatam uma só historia envolvendo amizade, amor, paixão e ódio.
 Camilo e Vilela eram amigos de infância, mas seguiram caminhos profissionais diferentes.  Camilo entrou na área de funcionalismo até sua mãe lhe arrumar um emprego na área publica, já Vilela formou-se em em magistrado, onde seguiu sua vida "longe" de Camilo, casou-se com uma formosa dama, Rita. Então decidiu voltar para a cidade onde Camilo o aguardava,  abandonando sua carreira e levando sua esposa consigo. Os três conviviam muito e isso gerou uma intimidade grande, nada fora do normal até Camilo sofrer uma grande perda, sua mãe faleceu deixando-o sozinho no mundo. Vilela por ser seu grande amigo, o ajuda com o enterro e seus fazeres, enquanto Rita o ajuda cuidando de seu coração, "e ninguém o faria melhor" já dizia o autor deixando claro que dali surgiria uma paixão intensa e proibida.
  A partir daí se envolveram cada vez mais, eram passeios juntos, os mesmos livros lidos, horas e horas compartilhadas. Ela como toda dama apaixonada tinha um só receio, de que ele a esquecesse, por isso resolveu consultar-se com uma cartomante para que ela pudesse lhe contar como toda aquela historia acabaria, a cartomante "adivinhando" o motivo de sua consulta e sua angústia, não precisou muito para convencer Rita a acreditar nela. Foi então contar a Camilo o que havia ocorrido. Camilo não acreditando na cartomante repreendeu-a dizendo que aquilo era imprudente já que Vilela poderia descobrir e que se ela tivesse algum receio deveria procurá-lo e não a uma cartomante.
  Mas o que os dois não sabiam era o que o destino havia lhes preparado. Em um aniversario de Camilo recebeu um presente de seu amigo e de sua amada um simples bilhete com palavras vulgares fazendo com que percebesse o quão inaceitável era aquela história. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo se misturou, Camilo queria fujir mas a confiança de Vilela era mesma. Até que em um dia Camilo recebeu uma carta anônima dizendo que sua aventura não era mias um segredo. Ele com medo afastou-se de Rita e Vilela, não queria que o anônimo contasse a seu amigo e Rita concordou. Algum tempo se passou e com a ausência de Camilo, Vilela ficou desconfiado e mandou um recado dizendo que era para ele ir o mais rápido encontra-lo em sua casa. Camilo não sabia o que fazer, o medo dominava, mas ele foi, e no caminho se deparou com a casa da tal cartomante de tempos atrás, ficou dividido se deveria entrar e consultá-la afinal ele não acreditava em nada daquilo, mas seu medo falou mais alto, ele precisava saber o que enfrentaria e entrou para ter com ela as respostas de quais precisava.
   A cartomante adivinhando que ele estava tendo um grande susto, o deixou abismado, ele não havia falado nada ainda, ela continuou dizendo para que ele não tivesse medo pois nada aconteceria nem à ele nem à ela, e que o terceiro ignorava tudo o que acontecera, falou do amor deles e da beleza de Rita. Quando a cartomante acabou Camilo perguntou o quanto devia e ela lhe respondeu que ele lhe pagasse de acordo com a sua gratidão. Pois bem, sua gratidão era tanta que lhe pagou e foi às pressas encontrar Vilela em sua casa. Chegando Vilela foi logo abrindo a porta e nada disse, fez um gesto para que Camilo entrasse e o fazendo um grito de temor lhe ocorreu, sua dama, Rita, estava morta. Vilela o pegou pela gola e com dois tiros o matou.
Machado nos mostra que uma paixão é capaz de passar por cima de uma amizade e de um casamento, que o amor pode ser transformado em raiva e ódio. Ele deixa claro que não acredita em cartomante fazendo com que todos os fatos ocorram contrariando todas as palavras ditas pela tal. Rita acreditava na cartomante. Vilela acreditava em sua amizade e no seu amor. Camilo não acreditava em nada até temer, sentir o medo dominá-lo. Todos necessitam acreditar em algo, seja no que for.

--por Paula Abreu.

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2 comentários:

  1. Muito bem, Paula.
    Bastante pertinente tua análise do conto de
    Machado de Assis. Gostei!
    Continue blogando!

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  2. Machado de Assis é mesmo surpreendente...Sua maneira ímpar de escrever me fascina.Outro dia,lendo Dom Casmurro disse-lhe ter uma enorme vontade de entrevista-lo...Mas como não era possível...então lhe escrevi uma carta no seu próprio livro.Num resto de folha que ele deixou em branco!

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